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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Roteiro: 2 dias em Serpa, Baixo Alentejo, Portugal

Serpa situa-se no Baixo Alentejo, na margem esquerda do rio Guadiana, numa região habitada desde tempos remotos, Serpa tem uma grande influência Romana e Árabe. Foi reconquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques em 1166 tendo sido perdida por diversas vezes durante as lutas da Reconquista. Foi definitivamente constituída como concelho em 1295 por D. Dinis que mandou cercar Serpa por uma cintura de muralhas.
Dada a sua localização geográfica, bem próxima da fronteira, Serpa sempre foi um ponto estratégico da defesa nacional.



A paisagem em Serpa é fabulosa, não só dentro das históricas muralhas, no centro histórico da cidade, mas igualmente na magnífica e extensa planície e nos montes cobertos de rosmaninho.



Dia 1:
A primeira impressão que o visitante tem de Serpa é a visão das muralhas do Castelo onde se rasgam a Porta de Moura e a Porta de Beja (as entradas originais eram apenas três, a Porta de Beja, localizada a noroeste, a Porta de Moura a nordeste, e a Porta de Sevilha a Sul. As duas primeiras são entradas aparatosas, entre torreões, enquanto a porta de Sevilha já não existe. Abriram-se mais tarde as portas da Corredoura e a Porta Nova). Incluso na muralha do lado Leste, assenta o vasto solar dos condes de Ficalho, destacando-se também o aqueduto em arcada italiana que se estende até à extremidade da muralha sul.




O palácio dos Condes de Ficalho destaca-se pela sua curiosa localização, uma vez que se encontra inserido nas muralhas. O palacete foi mandado edificar por D. Francisco de Melo, alcaide-mor de Serpa no final do século XVI. D. Francisco terá então iniciado a construção, obra posteriormente prosseguida pelos seus filhos, D. Pedro de Melo, governador do Rio de Janeiro, e D. António Martim de Melo, bispo da Guarda. Pouco depois de edificado o palácio, foi construído o aqueduto, cujo objetivo era o abastecimento de água, em exclusivo para a habitação, a partir de um poço situado na extremidade sul da muralha.


Dentro da cidade o traçado das ruas estreitas e irregulares, ladeadas por casas imaculadamente brancas, que se abrem para grandes largos, confere a Serpa um carácter muito singular. Na parte mais alta do morro encontra-se a igreja de Santa Maria, o que sobra da antiga torre de menagem do castelo, a Torre do Relógio e o Museu de Arqueologia.

A Igreja de Santa Maria, matriz de Serpa, terá sido edificada sobre uma antiga mesquita árabe, a partir de finais do século XIII e no início de Quatrocentos. A igreja ergue-se diante de um largo, em local elevado e junto da alcáçova, igualmente reedificada a partir das construções islâmicas originais.



A actual Torre do Relógio de Serpa (que se supõe ser a terceira mais antiga do País) é um vestígio da muralha do burgo, e também do passado islâmico da região. Foi transformada em relógio no ano de 1440, o que a torna, segundo se sabe, na terceira torre relojoeira mais antiga do país.A torre de menagem do Castelo, que se encontra em ruínas devido à sua explosão, são o resultado da participação de Portugal na Guerra da Sucessão de Espanha, a vila foi tomada em 1707 pelos espanhóis, que se retiraram no ano seguinte não sem antes provocarem grandes danos, sobretudo no castelo e na cerca urbana.



Descemos as escadas de Santa Maria, até à praça da República "coração" histórico de Serpa e um belo espaço fechado ao trânsito.



Na Rua dos Cavalos encontramos o Museu do Relógio (última visita às 17h), instalado no antigo convento do Mosteirinho, e único no seu género na Península Ibérica e a Casa do Cante, uma iniciativa autárquica para salvaguardar o cante alentejano.

Atravesse as "portas da Corredoura", cruze o largo da Corredoura em direção ao Jardim Municipal Eng.º Pulido Garcia, ou “Passeio Público Camacho Pimenta”, que se situa na Alameda Abade Correia da Serra, que tomou este nome em 1966, sendo anteriormente denominado de Praça de Lisboa.As árvores e os arbustos proporcionam sombra e alteram o microclima interior do jardim, tornam este espaço num enorme atrativo nas épocas de maior calor.


Continue o passeio em direcção à Igreja de Salvador. Situada no largo com o mesmo nome, esta Igreja encontra-se fora das muralhas. É datada do séc. XIV, durante o reinado de D. João I, e posteriormente modificada como comprovam as inscrições no púlpito.
De fachada simples, o elemento mais predominante é a torre sineira. O seu interior apresenta uma única nave coberta por uma abóbada de berço. As paredes da capela-mor estão forradas a azulejos.



Siga em direcção ao Largo do Corro, onde se encontra o Museu Etnográfico. Instalado no antigo mercado, este museu apresenta um percurso expositivo onde se ilustram vários ofícios tradicionais da região, nomeadamente os de cesteiro, roupeiro, cadeireiro, oleiro, abegão, ferreiro, pastor, alfaiate, sapateiro e latoeiro.
Horários: 9h00 - 12h30 / 14h00 - 17h30 (todos os dias)
Dia de encerramento: Encerra nos feriados de 25 de Dezembro, 1º de Janeiro, 3ª a seguir à Páscoa e 1º de Maio.
Observações:
Entrada gratuita
Visitas guiadas mediante marcação prévia.

Ao sair do museu, vire à sua esquerda, em direção à igreja e convento de S. Paulo. Trata-se de uma das mais imponentes igrejas do Alentejo. Foram iniciados nos finais de Seiscentos e pagos pelo benfeitor Manuel Fialho, um natural da cidade que "mandou das Índias de Castela, onde era muito rico, um donativo tão grande para a obra do convento, que se erigiu formoso templo pelo risco da igreja dos Paulistas da Corte, ainda que menos grande e menos sumptuoso".



Dia 2:
Depois de percorrer Serpa, não deixe de ir junto à Pousada de S. Gens e/ou Alto da Forca, donde desfrutará do panorama imenso da planície a perder de vista pontuado pelos vastos olivais que rodeiam Serpa e a visite a Ermita de Nossa Senhora de Guadalupe.


Fora de portas, merecem visita o Convento de Santo António/Convento de São Francisco. A construção da Igreja de São Francisco de Serpa, integrada no convento do mesmo nome (mais tarde Convento de Santo António), está intimamente relacionada com a atividade mecenática dos Duques de Beja, senhores desta vila alentejana entre meados do século XV e meados do século XVI. A primeira edificação terá sido ordenada pelo Infante D. Fernando, 1º Duque de Beja e pai do futuro rei D. Manuel, destinando-se a abrigar frades franciscanos do convento lisboeta de Xabregas. O senhorio de Serpa passou entretanto para D. Manuel, que reconstruiu o templo em 1502, já durante o seu reinado.
O edifício levanta-se no exterior da zona muralhada, no Largo de São Francisco, refletindo desta forma o surto de crescimento urbano da vila nessa época.


Também merecem visita alguns pequenos templos de devoção popular: como por exemplo, S. Sebastião, do séc. XVI, localizado na estrada para Beja, onde se casam os estilos manuelino e mudéjar.
Voltando para dentro da cidade, as indicações para S. Brás/Pulo do Lobo. O caminho prossegue por uma estrada municipal e depois de terra batida com a aproximação da ribeira de Limas. A passagem sobre a ribeira fica inviabilizada com grandes chuvadas, mas na maior parte do ano é possível atravessá-la através da passagem de cimento existente. Prosseguir até encontrar uma placa, à direita, a indicar o desvio para o Pulo do Lobo .

A origem do nome “Pulo do Lobo” terá a ver com a distância existente, neste local, entre as duas margens do rio Guadiana, que permite que, de um pulo, os grandes mamíferos terrestres atravessem o rio. Em tempos idos esta seria a única passagem que permitia o contacto entre as populações de mamíferos das duas margens.
O Pulo do Lobo é a maior queda de água do sul de Portugal. As águas caem de mais de 20 metros de altura e, envoltas num mar de espuma descem a garganta rochosa até lá abaixo, desembocando num lago entre as rochas.



A paisagem do pulo do lobo é espetacular, o leito do rio após a queda de água, encontra-se todo exposto, em rocha, por entre a qual serpenteia o rio Guadiana, num sulco criado ao longo de milhares de anos.


A não perder:

O queijo de ovelha de Serpa é famoso e muito apreciado por todo o País, primando mesmo esta região Alentejana pela sua boa cozinha, que tem como melhor aliado, o Pão de qualidade. Ensopado de Borrego, Açorda, Grãos com Alho e Louro, e doces tradicionais como os folhados de gila e as queijadas de requeijão, regados com os melhores tintos do Alentejo, fazem as delícias de todos quanto os degustam.

Onde comer?


Restaurante "O Alentejano"

Restaurante "Pedra de Sal"

Restaurante "Molhó Bico"

Quando ir?
A melhor época para visitar Serpa é na Primavera. Na Primavera também é celebrada, de forma especial, a festa em honra de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira oficial do concelho a partir de meados do século XX.
Com um clima mediterrânico, a tender para o semiárido, a região tem verões secos e quentes com temperaturas médias de 25º, mas em que a temperatura máxima pode ultrapassar os 40ºC. Os invernos apresentam temperaturas médias de 8º, com temperaturas mínimas frequentemente negativas.

A precipitação é fraca e em média não ultrapassa os 400mm, concentrada nos meses de Novembro a Janeiro. A insolação é elevada, com valores médios anuais entre 3000 a 3100 horas.

Onde ficar?

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